Sim. Sentimentos são passageiros. Não importa a intensidade. Não importa se você tem 16 anos. Ou 31. Você ama alguém e, de repente, já não visualiza planos a longo prazo. Aquela saudade passou, o ódio se diluiu, a culpa se perdeu no tempo. O sentimento, não é mais. E passam os anos. E aí você percebe que estar sozinho é um (bom) caminho. E aí você olha pra trás e percebe ainda que tanta coisa se repetiu, que tanto amor não vingou, que tanta saudade pra quase nada, que tantas noites em claro...pra que? Que tanto desperdício por algo que, lá na frente, não será mais? E aí você me pergunta: é melhor se trancar no escuro do quarto e jogar a chave fora? E eu respondo: claro que não. Sentir essa mistureba toda ainda é a melhor coisa do mundo. Mas é uma lástima que a gente nem sempre constate isso a tempo de evitar que certos sentimentos devastem nosso centro. E isso se repete a vida toda. E isso cansa. E saiba que, mesmo depois de quebrar a cara, você vai lá e faz tudo de novo. Igualzinho. E aí sente tudo de novo. E tudo, de novo, passa. E, envolto nesse círculo vicioso, me pergunto: preciso disso? Pois decidi que não. Não preciso. Afinal, ficar sozinho é um bom caminho, sim. Nada de remorso, nada de culpa, nada de sentimentos. Nada de repetições. Nada de nada. Eu sinceramente acreditei, por um bom tempo, que certos acontecimentos podem ser isolados ou
que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Mas a vida é infinitamente maior do que costuma-se prever. E, ainda assim, é previsível demais. Quando você tem 31 anos e ama alguém, infinitamente, mais que tudo e, por circunstâncias diversas, esse amor termina (impossível medir isso, não?), opa! Você chega a conclusão de que já viu esse filme em algum lugar. Onde? Se olhe no espelho. E aí você sente os ombros pesados, os pés se arrastam e você anda por aí desnorteado, com a sensação de que qualquer cachorro vira-latas tem a vida mais interessante que a sua. Pois, acredite: tem mesmo. Uma lástima constatar isso, né não? Decidi dar um tempo, enfim. E que venha mais esse capítulo. Cheio de sentimentos. Que seja. Mas, sozinho. Talvez aí eu tenha a impressão de que certas coisas não se repetirão. E esse, definitivamente, será o melhor caminho.
