Ali, no escuro, eu não sabia. Fechados, meus olhos viam possibilidades que, mesmo distantes, faziam sentido para mim. Aí, tua mão tocou na minha. No meio da noite. E, como se já fosse costumeiro, eu a segurei. Com toda a minha força. Trouxe-a para junto de mim. Embora não precisasse: ela já estava. Eu a sentia assim. Desse jeito. Como eu imaginei um dia.


Ali, no escuro, eu sonhava. E a estrada se desenhava longa. Cansativa. Exaustão pura. Meus pés há muito estavam fincados num único lugar. A ausência de movimentos estranhamente me empurrava para frente, mas a verdade, sempre foi, é que eu queria voltar. Romper. Respirar. E, embora eu caminhasse, não sabia aonde chegar. Mas aí, tua mão tocou na minha. E eu a segurei. E entendi que meus motivos não anulariam, nunca, os seus. Descobri que distantes já estavam os abismos. Que os tropeços são inerentes e até naturais. Ali, no escuro, eu vi o sol, insistente, surgindo no fim de tudo. Iluminando os meus apagados sentimentos. Um sonho. Realidade. Seria o espaço entre o “querer” e o "permitir"? Firme, continuei a segurar tua mão. E, aos poucos, deixei minhas dúvidas escorrerem por entre as pedras daquela estrada. Desse jeito. Como eu imaginei um dia.
Ali, no escuro, eu queria. Valeria a pena, sim. E, com os olhos fechados, decidi. Me despedi das dores todas. Da insistente vontade de maltratar o mundo. Me despedi do que assombrava os meus dias. Abandonei, em algum ponto dentro da minha existência. E voltei. Porque continuar naquela estrada, com os pés fincados, não fazia mais sentido. Cruzei o caminho de volta. Rompi. Respirei. E voltei a amar. Desse jeito. Como eu imaginei um dia.
*texto escrito em 2008, em algum ponto dessa tão longa estrada...
7 novas ideias:
"A ausência de movimentos estranhamente me empurrava para frente, mas a verdade, sempre foi, é que eu queria voltar. Romper. Respirar."
Muitos (e talvez todos) têm a necessidade de respirar, algum dia. Porém esse respirar (que transcede a ação natural de levar ar aos pulmões) em certos momentos é difícil, ou muito pesaroso. Presumo que seja por isso que tantas pessoas seguem, sem respirar, sem viver.
É, é isso.
"Rompi. Respirei. E voltei a amar. Desse jeito. Como eu imaginei um dia"
Cada um tem o seu momento de reflexão, de respirar, de ter sua individualidade. Mas, ao final a única conclusão que temos é que devemos respirar junto com o amor.
PARABÉNS, ÓTIMOS TEXTOS
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Abs
MaisEstudo
Muito bom Thiago,geralmente os embates que acontecem lá dentro do peito geralmente são ótimos fomentos a textos extremamente competentes como esse.Cara,obrigado pelos comentários lá no Toto,mas o mérito não é só meu.é um projeto comum entre eu(fiz a primeira parte),o Zé Dylan Walker,tbm aqui da cidade e o Roberto Kusiak,lá de Montenegro e amigo de longa data,os dois com blogs voltado aos contos.O do Zé chama-se http://sarapatelpsicodelico.blogspot.com/ ,o cara tem influências muito fortes da cultuara beat dos anos 50 e deixa claro em seus textos,já o do Roberto,que é policial militar geralmente são ficção a respeito do dia a dia das ruas e as situações que se apresentam a ele,o link é http://roberyk.blogspot.com/
Abraço e volto logo.
Esse texto - misto de poesia pura com tributo ao amor eterno - diz tudo. Ele - o texto - é tudo, na essência, na síntese, no DNA da intenção do que se quer passar. Privilégio de pouquíssimos em ter essa felicidade única em inspirar-se e fazer "nascer" um obra-prima dessas. Porém, sou tendencioso: privilégio de uma única fonte de inspiração de ter sido capaz de "provocar" um gênio a escrever isso tudo. Tudo. Bendito o criador! Mas eternizada seja a "criatura" a quem o texto se dedica.
Lembro bem desse teu texto quando li em 2008... =]
Adoraria que os "anônimos" se identificassem....
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