14/12/09

ERA UMA VEZ NO NATAL

Era como num conto de fadas: a árvore de Natal ali, toda acesa e colorida. Meus olhos transbordavam. Meu coração disparava de alegria. Todo o ano, no dia 24 de dezembro, era igual. Após a missa natalina, corria para casa, com uma ansiedade deliciosamente sufocante. Abria os presentes que estavam sob a árvore. Uma sensação mágica. Quase não consigo descrevê-la. Mas sinto. Como se estivesse lá.

Natal foi sempre sinônimo de alegria para mim. Presentes, mesa farta, família reunida e todo aquele blá, blá, blá que não só eu, mas todo mudo, conhece bem. Quanto mais o Natal se aproximava, mais minhas noites tomavam outro rumo. Ficava eu, no escuro do quarto, imaginando o que o velho amigo Papai Noel me traria de presente. Misturavam-se fantasia e realidade, meus pensamentos iam longe. Uma bola pra jogar futebol. Um carrinho de controle remoto. Um skate. Todos os brinquedos do mundo! Era perfeito.

Mas, o tempo passou...e eu cresci. Virei um adulto chato e tudo perdeu o encanto de antes. Não consigo mais enxergar o Natal como aquela data mágica de outrora. Não sei se isso aconteceu com todos os meus amigos mas, hoje, pra mim, Natal tem outro significado: gastar. Presentear a família, cachorro, vizinho, amigos e, se bobear, até inimigos. Afinal, como não ser bonzinho nessa época do ano? Vou te falar: que falta faz aquela magia infantil. Que saudades daquele Thiago ingênuo, de perninha fina e feio que é um raio. Sério.

Creio que hoje tudo soa superficial demais. Melhor é ser criança e não ter obrigação de avaliar nada. Ficar o ano inteiro esperando a visita do bom velhinho. Escrever cartinha pra ele. Não ver a hora de abrir os presentes e pular de alegria. Sentir aquela emoção de ter ganhado o melhor brinquedo do mundo (mesmo não sendo). Dormir com uma vontade louca de acordar para brincar de novo. Isso sim é vida!

Se eu pudesse, juro, viraria criança de novo. Só pra sentir o que eu sentia. Ficaria sentadinho em frente à lareira. Me comportaria muitíssimo bem durante todo o ano. Seria um exemplo de menino. Bondoso que só vendo. Só pra ver o bom velhinho descer pela chaminé com seu saco de presentes. Só para sentir meu coração disparando, como quando menino. Mas não dá, né? Sou apenas mais um adulto sem graça. Não...não perdi meus sonhos. Nem esqueci do Papai Noel. Apenas fui contagiado pela lucidez um tanto quanto estúpida que faz parte da vida adulta.

6 novas ideias:

Isa disse...

É uma pena que a infância passe tão rápido. Às vezes eu penso que era a única fase da vida em que se poderia ser realmente feliz. Porque por mais que nos esforcemos depois, nunca mais é a mesma coisa. Não é só o Natal que perde a magia, a vida também perde um pouco o seu encanto..

Nivaldo disse...

Um texto tão gostoso de ler. Escrita ágil,simples e clara. Seu texto é aconchegante, parece que traz um ambiente caseiro, uma realidade não muito distante, mas realidade que mudou.
Parabéns e muito obrigado por trazer boas lembranças e ao mesmo tempo o prazer de ler um texto tão bem construído.

Entre nós... disse...

Explendido!

Fábio Zen e Débora disse...

Retribuindo a visita.Thiago,como vc passei quase todos os Natais da minha infância aqui em Santo Ângelo,e a aura de magia tbm me envolvia,mas nisso tudo tem uma coisa muito gostosa.A nostalgia.Eu curto muito isso embora muitas pessoas achem perda de tempo.No mais um abrç,é ótimo encontrar um santoangelense na blogosfera e voltarei com certeza!

Janaina Moraes disse...

Belo texto...
Sabe que assim que dezembro se aproxima eu sinto que as coisas mudam. Como se um novo ar sobrasse todos a minha volta, transformando elas em pessoas mais agradáveis...
Mais amáveis até...
Sinto o cheiro do natal..
É a época do ano que mais gosto, que mais me encanta...


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Dani disse...

Também sinto contigo, vivemos tão juntos esses sentimentos, e perdemos eles também...Revivo no Gabi, mas a magia é outra... e Natal significa vida nova, virara a página, fazer algo novo, renascer...isso sim não pode acabar em adulto nenhum senão o sonho acaba e daí danou-se!!!bjos